ANDARILHA




Fardo nas costas,
Olhar distante,
Indiferente até.
Fardo no ventre pesado,
Antes leve e acanhado.
Passos cansados, arrastados,
Faz seu percurso
Sem pressa, a esmo,
Como à espera do momento
Da descarga de um peso.
Com certeza pensa, porém não fala,
Apenas, de minuto a minuto,
Agarra o ventre com ímpeto,
Instinto natural de defesa.
De quando em vez
Um olhar de espanto
E com um gemido rouco
Encosta-se num canto.
Chegado é o momento,
E como fera acuada
Afasta-se assustada,
Olhando a sua volta.
Vibra, geme, recua,
Ouve-se um grito,
Apenas um, agudo, repentino.
Silêncio! Estranho silêncio!
De repente...choro de criança,
Filho do mundo,
Sem pai, sem mãe.
Apenas um filho do mundo
À espera de um destino.

Autoria:Elvarlinda Jardim
Do livro: Versos e Linhas.

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