
Hora vejo-te sereno, poeta pensante,
hora em transe com a palavra amante,
Por vezes e na silente inércia,
entre a ficção e a realidade,
entre a essência e a aparência
em luta íntima com o adverso.
Entre o dar ou não a outra face,
vejo-te consenso, ou assim... Conflito,
clamando que te ouçam o grito,
na penumbra da solidão
Vejo-te estrofes em movimento,
buscando formas para os seus cantos,
buscando roupas para o teu poema,
e adereços para tuas rimas.
Vejo-te inquieto, perambulante,
colhendo sonhos para os teus anseios,
sonhando terno, no cálido da manhã.
Vejo-te poeta, caminheiro andante,
polindo a forma que lhe dê forma.
Entre os rabiscos dos teus cantares,
vejo-fe homem, alma-menino,
tirando as marcas esquecidas,
na rota e velha estante,
maltratada pelo tempo errante.
Vejo-te rompendo, triunfante,
as imóveis amarras da amargura.
Antevejo-te tão somente POETA,
entre a pena e a poesia.
Elvarlinda Jardim
Do Livro: Cantata de Palavras (em processo de publicação)
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