ATO DE REBELDIA



Hoje eu não quero saber de rimas,
Quero subir contra a correnteza,
pular precipícios sem tocar o chão,
rolar pedra acima, navegar ao vento,
voar no mar, mergulhar nas sombras ,
e viajar pelo firmamento.
Hoje, nada de pérolas, somente sonhos,
quero apenas contar estrelas,
e delas só fazer colares,
Hoje quero a liberdade essencial,
soltar as algemas, fugir das trevas,
sentir o sabor da aurora
no cair da tarde matinal.
ao som de Brahms - terceira sinfonia,
quero dizer que ti amo!
Deus, como te amo!
Eu quero romper com a magia
do querer e não poder.
Quero o lírico eu rebelde,
com direito a dizer o que quero,
soltar chispas pelo nariz,
sem lamentos por palavras não ditas,
mas dizer que ti amo nesta hora bendita.
Que amor é essse?
Não sei, nem quero explicações.
De mim,não quero um falso perfil,
de ti, apenas o amor sem fim,
sem máscaras, sem rótulos,
e sem o rústico sabor das ocas palavras,
sem a rota ilusão de ver a morte do amor.
Eu? Eu quero a livre vontade
de dizer sem conflito ou temor,
que mais vale sofrer amando,
do que viver sem o teu amor.

Autoria: Elvarlinda Jardim
Do Livro: Cantatas de Palavras.

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