Livre Escolha

                                                          Deixem que eu seja Mulher!
Mulher da lida, da noite e do dia!
Mulher lavadeira, Mulher da faxina,
Mulher sem vergonha de pegar o pesado!
Deixem que eu seja Mulher!
Mulher das noites choradas, dos dias, das madrugadas!
Mulher do comércio, das artes, das letras!
Das ruas varridas, das casas lavadas.
Mulher de insônia, faminta e sem roupa lavada.
Deixe que eu seja Mulher, não apenas um dia,
Mas da vida, do mundo das horas sonhadas!
Deixe que eu seja Mulher!
De ventre livre a gerar tantas outras.
A cigana brejeira, cartomante,
Mulher choradeira, parteira,
Mesmo sem eira e nem beira,
mas deixe que  seja Mulher.
De cabelos ondulados, negros ou dourados,
Crespos ou alisados, curtos ou ao longo dos ombros.
Deixem que eu seja Mulher,
de pele branca, negra ou parda,
mas com a mala cheia de sonhos.
Esposa amiga e companheira,
nunca  u’a  Amélia sem voz.
Deixe que eu seja Mulher!
Mulher das tribunas, das salas de aula,
Da cama, da lama, do lodo,
Das salas de parto, dos rios e córregos,
Das vias urbanas e da zona rural
Mulher com a vassoura, com o rodo,
de tudo que venha por livre opção.
Deixem que seja Maria,
Magdala ou Joana sem sobrenome,
Mas que eu seja Mulher,
Deixem que eu seja Mulher,
Já que não optei por ser homem.

Autoria: Elvarlinda Jardim
Livro: Cantata de Palavras

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