Fui pedra bruta extraída da terra.
Cheia de marcas profundas e saliências.
Fui chama incandescente,
Fui lama, fui lodo, fui larva amedrontada.
Senti fome nas trevas do mal,
Fome ávida, sem lógica, insana,
que, impiedosa, corroia o ser.
Vivi de etapas, sem rotas definidas,
onde não se falava de amor e, tampouco falava de vida.
As chagas queimavam-me o corpo,
a dor martirizava-me a alma.
O medo, companheiro constante,
seguia-me a todo instante,
jogando-me nas sombras da solidão,
tornando-me inerte, insípida e sem emoção.
Tudo isso eu apenas fui, hoje nada mais sou,
senão a certeza de que o passado se foi,
levando as marcas de momentos sem cor.
Hoje sou vida, sou ritmo e som, hoje sou multicor,
Da semente tornei-me flor que se fez fruto.
Trago no peito um coração que pulsa,
trago na alma uma mente que pensa,
trago no corpo uma alma que sente .
Sou libélula ou sou crisálida,
Que luta pela liberdade de ser ainda mais.
Sou anjo em passadas trôpegas,
buscando nas diversas estradas do eu,
algo mais que me fale de mim,
que me leve ao futuro, que nada me esconda.
Não sou o vento que se foi, mas a brisa que chega,
que alimenta de sonhos aos que perdem a fé.
Sou a palavra, sou a poesia, sou o canto, sou a harmonia,
Sou a música que te busca como notas em melodia.
Autoria: Elvarlinda Jardim

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