A Natureza pede Socorro

Um dia, não muito distante, quando ainda não se tinha recolhido a tarde, uma flor se encolheu tristonha, um pássaro que cantava alegremente, interrompeu seu canto de repente, e se escondeu sem jeito, no aconchego do seu ninho. Alguns peixes que nadavam alegremente aninharam-se quietos, bem no fundo de uma fonte. Um animal, que pulava displicente, acotovelou-se contra o vento e se escondeu atrás de um monte.
No ar, parou de soar o canto de um rouxinol, ficando apenas o eco, sem que se ouvissem as últimas notas do cântico final.
As árvores, que se açoitavam ao ritmo do vento, retesaram-se estranhamente, e, um por um, os seus galhos verdes, amedrontados, estremeceram. Penderam-se. Até uma cascavel que assustava a quem por ela passava descansou o seu chocalho, enroscando-se no seu próprio ser.
Tudo foi parando... Calando... Ficando apenas o silêncio, estranho silêncio. Cantos, assovios, uivos, estalar de galhos...Tudo parou.

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Um estampido
Um sopro de canos
Um par de asas
Um vôo interrompido. Um baque.
Uma garça.
Morta a liberdade. O triste silêncio da natureza e um minuto estertor.


                                                           Autoria: Elvarlinda Jardim
Livro: O Anjo e os Outros

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