Nas entrelinhas da vida
Eu o busquei de forma desmedida,
Era certo que eu estava perto,
Sempre que me procurava,
Embora temesse a hora de se mostrar.
Ainda que demorada, a hora foi chegada.
O canto nostálgico da saudade
Esmaeceu-se, ficando seco,
Pálido, sem vida, quase diluído,
Ultrapassando as paredes do tempo
que se tornou passado.
Finalmente você chegou.
Chegou com o canto mágico do amor,
Sob o ritmo cálido da esperança.
Minh’alma triste e solitária
Ganhou rimas, musicalidade,
Vestiu-se da leveza de quem ama.
Perdeu o medo, tornou-se firme.
E decidida, partiu em derrocada,
Ciente do prazer de ser feliz.
Medos, conflitos dúvidas e percalços...
Tudo foi vencido. Tudo ficou pra trás.
Até a idéia mortal, insólita e mordaz
do fim que se estampava a vista d’olhos
foi-se... Foi-se com o descortinar
da fria neblina de um amanhecer qualquer.
Entre a luta do querer fugir
E do impulsivo desejo de ficar...
Fiquei. Aqui estou tão somente
Com o amor que me diz sentir
Deste amor tão só nosso que me queira dar.
Autoria: Elvarlinda Jardim
Livro: Cantata de Palavras

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